Adilson Batista garante: ‘O Cruzeiro vai se classificar na Libertadores’
O Cruzeiro ganhou do Deportivo Italia por 2 a 0 e assumiu a liderança do Grupo 7 da Taça Libertadores, mesmo que provisoriamente. Ainda assim, a entrevista coletiva concedida pelo técnico Adilson Batista depois do jogo teve um tom de desabafo em alguns momentos.
O técnico mostrou-se satisfeito com o desempenho da equipe e com a vitória. Disse que vai acompanhar o jogo entre Vélez Sarsfield e Colo Colo nesta quinta-feira, mas que está preocupado somente com o Cruzeiro.
- A decisão vai ser em Santiago – disse ele, referindo-se ao jogo da última rodada, contra o Colo Colo, no dia 15 de abril.
Vaiado ao colocar Pedro Ken na vaga de Gilberto, Adilson teve o nome gritado pela torcida dois minutos depois, já que Pedro Ken fez o segundo gol.
- Sou sócio-torcedor, também estava lá em cima gritando, xingando – ironizou o treinador, que, de fato, virou sócio-torcedor do Cruzeiro para atrair a torcida ao programa de fidelização do clube.
Incomodado com parte da imprensa mineira, o técnico cruzeirense afirmou que precisa provar sua competência a cada jogo.
- Preciso melhorar meu aproveitamento aqui, senão me derrubam – soltou Adilson Batista, novamente destilando ironia.
Confira a seguir os melhores momentos da entrevista do treinador após a vitória sobre o Deportivo Italia no Mineirão:
Vitória sem dificuldades
- Eu não vi tantas dificuldades, eu vi um volume de jogo muito bom, o Cruzeiro rodando bem a bola, bem posicionado. Tivemos lucidez, trabalhamos, criamos. O scout do jogo mostra que o Cruzeiro chutou muito mais. Eles tiveram uma chance com o Casseres no fim, o resto foi tudo de bola parada. Eu gostei. Fizemos um bom jogo, não teve nada de dificuldade. Foi tranqüilo.
Placar modesto?
- Não é questão de (não vencer por) goleada. Hoje, nós somos o quinto melhor primeiro. Tem gente vendo fantasma aí, que nós precisamos fazer 11 (pontos), que não pode dar, é uma preocupação... Isso aí às vezes acontece. Todo mundo está tendo dificuldade. Libertadores, tem gente que joga a cada 25 anos. O Cruzeiro está jogando pelo terceiro ano consecutivo. É difícil jogar Libertadores. Não é tão simples assim.
Cruzeiro lento em alguns momentos do jogo
- Não é questão de lentidão. Vocês precisam entender que é difícil a Libertadores. O Cruzeiro rodou a bola, teve chances, criou. O Jonathan teve a chance no finzinho de fazer 3 a 0, o Pedro Ken, o (Marquinhos) Paraná, o Gilberto, enfim... O Diego (Renan) teve uma também para fazer no primeiro tempo. O importante é criar.
Vélez Sarsfield x Colo Colo
- Estou preocupado só com o Cruzeiro. Acho que pode acontecer o empate, mas é aquilo que eu falei anteriormente: a decisão vai ser em Santiago (Colo Colo x Cruzeiro, dia 15 de abril). Pelo primeiro (lugar da chave) ou pelo segundo. Não sei, tenho de aguardar. Acho que o Cruzeiro tem condições de vencer o Vélez aqui (dia 31 de março, no Mineirão), um jogo difícil. Já convoco o nosso torcedor, às sete e meia (da noite), contra os argentinos. A gente gosta dos argentinos. Vai ser um jogo muito bom e eu preciso da ajuda deles aqui, para que a gente faça os dez pontos e vá para o Chile com o intuito de terminar em primeiro.
Terceiro ano seguido do Cruzeiro na Libertadores
- O São Paulo é a sétima consecutiva. O Cruzeiro é a terceira, com esse grupo (de atletas). Tem o desgaste, a maratona, jogos decisivos. Tem vários jogadores no terceiro ano, tem de entender, relevar, porque às vezes vai sobrecarregar. São três anos de maratona, de dificuldades, de cobranças. E a gente tem de provar todo dia, porque é novo, está aprendendo. Tem muita gente que sabe mais do que a gente. Isso é o futebol. Com calma a gente vai tendo tranqüilidade, trabalhando e vamos nos classificar, podem ficar tranquilos.
Burro num minuto, ídolo no outro
- Eu sou sócio-torcedor, também estava lá em cima gritando, xingando, entendeu? Eu sou cruzeirense, sou igual a eles. Sou torcedor também. Então, às vezes, não entende, ou escutou (comentário em alguma rádio). Troca a estação, muda a estação às vezes, está na estação errada. Porque eu estou sabendo o que eu faço ali. Eu troquei para ter uma melhor marcação, para dar mais liberdade. O Thiago (Ribeiro) está voltando, o Gilberto está voltando. São coisas que a gente precisa mostrar, mas é dentro de campo. Até os 60 (anos) eu vou ser aplaudido, vaiado, vou ganhar, vou perder. Isso faz parte do futebol.
Misto contra o Democrata-GV?
- Eu me lembro quando nós perdemos para o Ipatinga (3 a 0, no Mineirão), vindo de viagem (da Bolívia), desgaste, e (os comentários de que era) preciso rever. Terminamos em primeiro (lugar na fase de classificação do Mineiro). É o terceiro ano, apenas em um o rival (Atlético-MG) fez 26, e nós, 25. Mas é sempre o melhor ataque, a defesa está perto, e tem de provar todo dia... Vou escalar um time competitivo para vencer o jogo (contra o Democrata). Preciso melhorar meu aproveitamento, senão me derrubam aqui.
Responsabilidade na fase decisiva do Mineiro
- Responsabilidade, nós sempre temos. Dirigir o Cruzeiro não é tão simples assim, ainda mais com a cobrança que eu tenho aqui. Todo dia eu tenho de provar que eu trabalho. Então, vou para lá para ganhar o jogo, senão é perigoso eu cair na semifinal.
Alguém quer a cabeça do Adilson?
- Não... Vocês gostam de uma polemicazinha. Está tranqüilo. Eu estou bem tranquilo, consciência tranqüila. Tenho consciência do que faço. Não entrei ontem no futebol, sei o que é um vestiário, o que é jogador, o que é dificuldade, mas para algumas pessoas é tão simples. Vai para o campo para ver se é fácil. Do lado de fora é muito fácil. Mas eu estou tranquilo.





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